Você sabe realmente o que é inflação?
Muita gente acredita que inflação é simplesmente o aumento de preços. Mas, na verdade, esse aumento é só uma consequência. A inflação é, tecnicamente, a expansão da base monetária, ou seja, quando há emissão de mais moeda ou aumento excessivo de crédito. E por que é que isso acontece? Simples: os governos tendem a gastar mais do que arrecadam. Quando não querem (ou não podem) aumentar impostos, a saída mais “silenciosa” é emitir mais dinheiro.
Vamos voltar no tempo…
No Império Romano, a inflação começou quando o governo precisou de financiar guerras. A moeda principal da época, o denário, era quase 100% de prata. Com o tempo, para produzir mais moedas, os imperadores passaram a reduzir a quantidade de prata, até sobrar apenas uma fina camada. Isso corroeu a confiança da população na moeda e foi um dos factores que contribuíram para a queda do império. Esse processo levou mais de 400 anos — afinal, tudo era feito manualmente.
Séculos depois, em 1440, veio a invenção da prensa de Gutenberg, o que acelerou (e muito) a capacidade de imprimir moeda. Avançando para a República de Weimar (1918–1923), a hiperinflação explodiu. Em 1914, 1 dólar valia 4,2 marcos alemães. Nove anos depois, o mesmo dólar chegou a valer 4,2 bilhões de marcos. Tudo isso com a ajuda de impressoras modernas da época.
E hoje?
Vivemos uma nova era. A expansão monetária é maioritariamente digital. Nos EUA, no Brasil e em diversos outros países, os Bancos Centrais agora criam dinheiro com um clique, por meio de políticas como o quantitative easing (Afrouxamento Quantitativo ou Flexibilização Quantitativa) e a monetização da dívida pública. Esses mecanismos injectam liquidez na economia, mas sem gerar valor real ou aumentar a produtividade.
O que aprendemos com tudo isso?
Se no passado a inflação levava séculos ou décadas para corroer uma moeda, hoje ela pode fazer isso em tempo real. Por isso, é fundamental discutir o conceito de sound money — moedas que preservam seu poder de compra ao longo do tempo, são resistentes à manipulação estatal e difíceis de serem falsificadas ou inflacionadas artificialmente.
Artigo publicado originalmente no Mises Brasil.