(Nota do Editor: Apesar de não ser um artigo académico, consideramos que o teor é suficentemente importante e grave para ser publicado na página principal do Instituto Mises Portugal. O IMP procura ser um reflexo da missão e visão do Mises Institute (MI), pelo que se a idoneidade do mesmo está em causa, 45 anos após a sua fundação, o tema deve ser conhecido e debatido publicamente.)
(Publicado originalmente no site do autor.)
Hans-Hermann Hoppe
25 Março de 2026
A minha estreita e pessoal associação com o Mises Institute remonta a mais de 40 anos, desde 1985, apenas três anos após a fundação do Instituto. Ao longo dos anos, proferi dezenas e dezenas de palestras. Fui distinguido com o seu Schlarbaum Prize e a Rothbard Medal. Durante uma década, servi como editor do seu Journal of Libertarian Studies. Sou o único Distinguished Senior Fellow de longa data do MI. Ainda há apenas dois anos, em 2024, fui orador convidado em destaque na Human Action Conference do Instituto, e o meu 75.º aniversário foi celebrado na ocasião. No mesmo ano enviei esta nota de felicitações a Lew Rockwell por ocasião das festividades organizadas em honra do seu próprio 80.º aniversário:
Caro Lew, pelo teu 80.º aniversário envio-te os meus melhores votos e quero agradecer-te por, agora já há quase 40 anos, de amizade e camaradagem intelectual.
Sei que és demasiado modesto para o dizer, mas eu posso certamente fazê-lo: Figuras entre os mais brilhantes comentadores e analistas da época presente e és o maior promotor vivo, a nível mundial, da economia sã na tradição de Ludwig von Mises e Murray N. Rothbard e, de modo mais geral, da liberdade, da paz, do bom senso e da razão.
O teu legado está assegurado: já és uma lenda.
Com os melhores cumprimentos,
Hans
E Lew respondeu imediatamente:
Uau. Caro Hans, que Deus te abençoe pela tua carta extraordinária, que foi o ponto alto do evento e me honrou imenso. Agora tudo o que preciso de fazer é tentar estar à altura dela!
Ainda há apenas um ano, novamente, em 2025, fui convidado a proferir a Ludwig von Mises Memorial Lecture na Austrian Scholars Conference, e foi organizado um jantar especial em minha honra.1 Tudo parecia estar bem e harmonioso.
Excepto: Foi doloroso ver a deterioração da saúde de Lew, devido à chocante deterioração da sua saúde. Tinha dificuldades em falar e já não conseguia dactilografar. Era evidente que já não poderia, de modo algum, estar em pleno controlo do poderoso empreendimento intelectual — o MI e o LRC — que havia construído ao longo de cerca de quarenta anos. Tive também algumas dúvidas iniciais de que ele fosse o autor efectivo de tudo o que ainda era escrito e publicado sob o seu nome. No entanto, no decurso do nosso jantar, e abordando cautelosamente a questão do ‘futuro’ do seu empreendimento, assegurou-me que tudo estava tratado e em boas mãos. Apenas há um ano, Tom DiLorenzo, Professor Emérito de Economia na Loyola University, Baltimore, amigo de longa data e membro sénior do corpo docente do MI, autor prolífico de numerosos livros aclamados a nível nacional e orador público de mérito, fora contratado como o novo presidente do MI. Do mesmo modo, a associada de longa data e amiga pessoal Karen De Coster, que passara uma vida em cargos executivos no mundo empresarial, fora nomeada Directora Financeira e Operacional.
Aquando do meu regresso à Europa, senti, pois, alívio. No entanto, apenas alguns meses depois, no final do Verão de 2025, fui informado pelo Professor Guido Hülsmann, biógrafo de Mises e Senior Fellow do MI, de que acabara de saber que Tom DiLorenzo e Karen De Coster tinham sido colocados em “licença administrativa” [administrative leave] e, por tudo o que aparentava, estavam prestes a ser despedidos, devido a divergências entre eles e outros membros do pessoal relativamente à gestão presente e futura do Instituto.
Embora nenhum de nós estivesse envolvido na actividade quotidiana do Instituto nem em quaisquer discussões sobre visão e estratégia, quer ao nível do Conselho quer entre os funcionários do Instituto, e nenhum de nós estivesse na folha salarial do Instituto, enquanto associados de longa data e próximos do Instituto entendemos ser nosso dever pronunciar-nos sobre o assunto em questão e expressar as nossas preocupações. Para esse efeito, redigimos um Memorando conjunto dirigido a Lew e aos membros do Conselho (apenso infra; pdf).
Nesse documento, começámos por recordar ao Conselho que o mesmo problema, ou um problema algo semelhante, já conduzira à saída do anterior Presidente, Jeff Deist, há apenas três anos, e procurámos depois chamar a atenção do Conselho para aquilo que considerávamos ser a causa de fundo do problema presente: uma distribuição inadequada de responsabilidades decorrente de uma falha estrutural na organização do Instituto.
Em qualquer organização funcional, a solução padrão para evitar conflitos ou fricções internas é que o Presidente prevaleça e que todos os responsáveis subordinados cumpram as suas ordens. O Presidente, uma vez eleito, deve ter autoridade para decidir sobre todas as matérias. Pode optar por delegar alguns dos seus poderes, mas, em princípio, a sua decisão deve ser final. E o Conselho da organização tem o dever de apoiar o Presidente e de o exonerar das suas funções apenas em caso de manifesta má-conduta, fraude ou traição — mas não por alguma mera “diferença de visão ou de opinião” entre ele e outros membros do pessoal ou em virtude da “insatisfação”, “infelicidade” ou “queixa” de alguém.
Mas este não tem sido o modelo do MI. Em vez de uma unidade de liderança, o MI institucionalizou uma dualidade de liderança que estava inevitavelmente destinada a resultar em conflito irresolúvel. Por um lado, havia o Presidente (Tom DiLorenzo) e, por outro lado, havia o Vice-Presidente para os Assuntos Académicos (Joe Salerno). Normalmente, isto faria de DiLorenzo o superior de Salerno. Mas, enquanto DiLorenzo, qua Presidente, participava nas reuniões do Conselho, não era ao mesmo tempo membro do Conselho, ao passo que Salerno fora nomeado membro permanente do Conselho e, como tal, era de facto, materialmente, o superior hierárquico de qualquer Presidente, fosse ele quem fosse. Salerno, qua membro permanente do Conselho, foi colocado numa posição que lhe permitia desafiar, contestar e ultrapassar praticamente qualquer Presidente em funções. E este estado de coisas não afectava apenas a sua própria relação com o Presidente. Não podia deixar de também minar a relação entre o Presidente e todos os outros funcionários do MI. Com efeito, um Presidente que não tem a possibilidade de prevalecer sobre os seus executivos seniores estava condenado, mais cedo ou mais tarde, a perder o respeito dos restantes funcionários. Eventualmente, a intriga, a rebelião e a insubordinação tornar-se-iam reacções aceitáveis em resposta às suas ordens.
Indicámos no nosso Memorando como reparar a falha estrutural que identificámos e oferecemos ainda aconselhamento adicional. Mas sem qualquer resultado. Não houve qualquer reacção ao nosso Memorando, de nenhuma parte. Nenhuma palavra, em particular também não de Lew Rockwell, o Presidente do Conselho, o que reforçou a minha/nossa crescente suspeita de que ele perdera o controlo do Instituto.
O desfecho do “caso DiLorenzo” ocorreu, então, com bastante rapidez. Como previsto no nosso Memorando, foi alguma cabala interna que conduziu à demissão de DiLorenzo e de De Coster dos cargos de Presidente e de CFO. Salerno prevaleceu sobre ambos, o Presidente e a CFO. Não foi apresentada qualquer explicação para esta decisão (e DiLorenzo e De Coster estavam vinculados por acordos de confidencialidade). Foi enviada uma carta aos doadores, assinada por Lew, afirmando simplesmente, de forma enganosa e inverídica, que ambos se tinham demitido dos seus cargos, em vez de terem sido efectivamente despedidos. (De modo revelador, embora Gülçin, minha esposa, e eu tivéssemos sido também doadores significativos, não recebemos essa mesma carta, presumivelmente porque conhecíamos a verdade efectiva.) Foi igualmente anunciado na carta que se iniciaria de imediato a procura de um novo Presidente.
(De passagem, a anterior “era Deist” terminara de forma algo diferente, mas por razões essencialmente semelhantes: Deist tentara “profissionalizar” a organização do MI e, em especial, do Conselho, e assim deparara-se com a oposição destrutiva de Salerno, apoiada por Lew. Perante isso, em profunda frustração, e juntamente com vários antigos membros proeminentes do Conselho (o Juiz Andrew Napolitano foi afastado), demitiu-se do cargo de Presidente.)
Tendo em conta as experiências recentes de Deist e depois de DiLorenzo, e atendendo à actual configuração institucional do Instituto, Hülsmann e eu tínhamos previsto no nosso Memorando que esta procura não seria tarefa fácil. Pois quem, que pessoa de alguma relevância e estatura, desejaria assumir um cargo tão arriscado?! E, de facto, até hoje, cerca de oito meses depois, não foi encontrado qualquer novo Presidente. Em vez disso, muito provavelmente por instigação de Salerno, um Lew cada vez mais debilitado e visivelmente enfraquecido foi persuadido a nomear dois funcionários subalternos de longa data como directores executivos interinos, que Salerno então, qua chefe académico incontestado, poderia facilmente manipular (mais sobre isto adiante).
Fiquei desiludido. Aparentemente afastado, mas ciente do centenário iminente de Murray Rothbard, a 2 de Março de 2026, decidi enveredar por uma iniciativa independente. Em conjunto com Stephan Kinsella, amigo de longa data e eminente teórico jurídico austro-libertário, decidimos produzir uma Gedenkschrift em honra de Rothbard para a ocasião, a ser publicada sob os auspícios da Property and Freedom Society, o salão intelectual anual que fundei vinte anos antes, em 2006. E, de facto, precisamente no dia 2 de Março, a Gedenkschrift, editada por Kinsella e por mim, foi publicada.2
De forma incidental, no mesmo dia, o Mises Institute, com um corpo de cerca de 30 pessoas e apoiado por um enorme fundo patrimonial de vários milhões de dólares, não fez mais do que enviar uma carta de angariação de fundos, alegadamente escrita (em todo o caso assinada automaticamente) por Lew, pedindo mais dinheiro para ajudar a celebrar o “Year of Rothbard.”
A 2 de Março, enviámos também a Gedenkschrift a Lew Rockwell, esperando — como seria natural — uma palavra de felicitação. Não houve resposta. No dia seguinte, enviei-lhe a seguinte mensagem de seguimento:
Caro Lew,
Até há pouco tempo, sempre que te enviava um e-mail respondias quase de imediato. Agora, após o afastamento de DiLorenzo, há apenas silêncio. Ou me ignoras, ou alguém filtra os meus e-mails e impede que os vejas. Porquê? O que tens contra mim?
Ontem enviei-te o livro que eu e Kinsella escrevemos e compilámos para celebrar o 100.º aniversário de Murray. Não houve sequer um aviso de recepção, enquanto o MI não fez mais do que pedir donativos para celebrar Murray, sem nada de concreto para apresentar. Nem um artigo comemorativo, nada.
Sei que concordas com a minha avaliação de Milei. Disseste-mo. Em circunstâncias normais, terias publicado a minha introdução ao livro que te enviei. Mas desta vez, nada. Porque a nova direcção do MI convidou Huerta de Soto, o principal propagandista de Milei, para falar em Auburn dentro de semanas e querem agradar-lhe?
O que fiz eu para merecer este tratamento? Tenho sido uma figura central no MI e eu e Gülçin fomos doadores significativos. Porquê?
Cumprimentos,
Hans
Novamente: nenhuma resposta. Enviei então outra mensagem:
Caro Lew,
Dado que continuo sem resposta e não consigo acreditar que exista má-vontade — afinal, quando nos encontrámos pela última vez, em Março de 2025, sublinhaste repetidamente a importância que tive e continuo a ter para o MI — só posso concluir que a suspeita que mencionei na minha mensagem de ontem é verdadeira e que, devido à deterioração da tua saúde, perdeste o controlo e outras pessoas passaram a ler e gerir o teu correio electrónico.
Vergonhoso.
Duas pessoas, Kinsella e eu, numa operação quase sem recursos, escreveram, compilaram e publicaram um livro a 2 de Março para celebrar o 100.º aniversário de Murray. Até hoje, o Mises Institute nem sequer reconheceu esse feito.
Com uma equipa de quase 30 pessoas e abundantes donativos, tudo o que o MI fez foi enviar uma carta a pedir mais dinheiro e, dias depois, republicar a Festschrift de há 38 anos!
Como explicar esta conduta? Mesquinhez, inveja, ciúme? Seja como for, não é assim que pessoas honradas se comportam.
Hans
Por fim, confirmou-se a minha suspeita de que alguém filtrava os meus e-mails. Não pela pessoa que eu julgava responsável, mas pela esposa de Lew, Mardi, que escreveu:
Caro Hans,
Apenas uma breve nota para informar que o Lew tem estado doente nos últimos meses. Li-lhe o teu e-mail e ele responderá assim que estiver melhor. Há dias em que não lê o correio electrónico. Ele valoriza a tua amizade e tudo o que fizeste pelo Instituto ao longo dos anos. Reza por ele. Tudo de bom para ti e para a tua família.
Com carinho,
Mardi
Mais de duas semanas depois, continuava sem qualquer resposta de Lew — nenhuma explicação, nada. Contudo, continuavam a ser enviadas cartas de angariação de fundos supostamente escritas e assinadas por ele, e continuavam a ser publicados artigos no LRC em seu nome. Alguém estava claramente a mentir — e não era Mardi.
Para aprofundar a situação, dirigi-me então a Ryan McMaken, editor-chefe do site do MI. Apesar de o Instituto ter declarado 2026 como o “Ano de Rothbard”, não havia qualquer referência ao nosso livro (apenas um tweet duas semanas depois, por uma investigadora associada). Ofereci a McMaken a minha introdução para publicação no Mises Wire. Primeiro, silêncio. Depois, enviei um lembrete:
Ryan,
Há vários dias submeti o seguinte artigo para publicação no Mises Wire. Como sabes, sou o único Distinguished Senior Fellow de longa data do MI e geralmente reconhecido como o mais proeminente aluno e herdeiro intelectual de Murray Rothbard. Ainda assim, não obtive qualquer resposta.
Gostaria de saber: é decisão tua ignorar-me, ou estás a agir sob ordens?
HHH
McMaken respondeu:
Obrigado pelo lembrete. O seu e-mail anterior foi parar à pasta de spam. Vou analisar o artigo hoje.
Estranho que o e-mail de um Distinguished Senior Fellow tenha ido parar à pasta de spam, mas já pouco surpreendente foi a rápida decisão subsequente de McMaken:
Boa tarde:
Obrigado pela submissão, mas vamos declinar publicar este artigo. A principal razão é que se centra fortemente no trabalho de Rothbard enquanto estratega do movimento libertário, e em questões do movimento em geral, com muito pouco sobre o trabalho de Rothbard enquanto economista. Mises.org tem, em geral, evitado conteúdos de movimento, permitindo que o LRC (tal como o antigo RRR) seja mais a publicação que cobre a formação de coligações políticas ou questões do movimento libertário. Temos vindo a trabalhar para melhor traçar esta distinção entre publicações de movimento/estratégia e mises.org.
Com os melhores cumprimentos,
Ryan McMaken
Em resposta limitei-me a observar brevemente:
Estou certo de que essa é também a razão pela qual o MI nem sequer reconhece o livro inteiro que publicámos em honra de Rothbard a 2 de Março, enquanto o MI, com um quadro de cerca de 30 pessoas, não fez mais do que enviar uma carta de angariação de fundos nesse dia.
Tomo a sua resposta como confirmação de que actua sob ordens.
HHH
Importa notar que a razão apresentada por McMaken para a rejeição do meu artigo era uma mentira descarada. Dezenas e dezenas de artigos publicados no sítio do MI não se restringiam à discussão de matérias puramente económicas. Praticamente nenhum dos artigos escritos por David Gordon ou Wanjiru Njoya o era, por exemplo (para não falar dos vários textos de Connor O’Keefe). Mais importante ainda, o próprio homem: Murray Rothbard, não era de modo algum um economista estritamente especializado, mas sim um académico interdisciplinar interessado e familiarizado com a mais vasta gama de temas. A justificação apresentada para a rejeição é, pois, simplesmente ridícula, muito provavelmente fabricada sob ordens superiores.
Assim, para obter plena clareza sobre a questão, dirigi-me finalmente a Salerno, o novo grande responsável. Enviei-lhe a correspondência acima com McMaken e perguntei-lhe directamente se a carta de rejeição deste tinha tido a sua aprovação. Foi então esta a correspondência que se seguiu:
Salerno:
Caro Hans,
Como já te indiquei em ocasiões anteriores, quando me enviaste e-mails acerca de artigos que foram publicados ou submetidos e não publicados no Mises.org, Ryan McMaken, o Editor-Chefe, tem a autoridade final para aceitar ou rejeitar submissões ao sítio. Aconselho-o quanto à solidez de artigos técnicos de economia quando ele me solicita que o faça, mas mesmo nesses casos a decisão final de aceitar, rejeitar ou solicitar revisões é dele e apenas dele. De facto, nunca vejo as submissões ao sítio antes da sua publicação no Mises.org, a menos que o Ryan solicite o meu parecer. Acrescento que nunca tive motivo para questionar as decisões editoriais do Ryan.
Deves também saber que nem o Ryan nem eu somos, em última instância, responsáveis pelas posições e conteúdos expressos pelo Mises Institute. Essa responsabilidade cabe a Judy Thommesen e Chad Parish. Eles são os Directores Executivos do Mises Institute, escolhidos pelo Conselho de Administração e por Lew para liderar a organização. Têm trabalhado directamente com Lew, e com a aprovação dele e do Conselho. A Judy e o Chad foram investidos de pleno poder e autoridade para tomar quaisquer acções e todas as decisões que considerem ser do melhor interesse do Mises Institute.
Com os melhores cumprimentos,
Joe
Hoppe:
Caro Joe,
obrigado por esclareceres as coisas. É verdadeiramente tranquilizador saber que a operação e supervisão globais do MI, e em particular a tarefa de honrar e preservar o legado de Murray Rothbard, estão agora colocadas em segurança nas mãos de Chad Parish e Judy Thommesen, que são ambos completamente desconhecidos fora das paredes do MI e cujas contribuições para o edifício austro-libertário são aparentemente um total e bem guardado segredo.
Com os melhores cumprimentos
Hans
Salerno:
Caro Hans,
A Judy e o Chad compreendem plenamente a missão, organização e funcionamento do Mises Institute e foi ideia do Lew sugeri-los ao Conselho para os cargos que ocupam. Estou plenamente confiante de que manterão o navio no rumo. Entretanto, estamos à procura de um presidente que sirva como a face do Instituto.
Com os melhores cumprimentos,
Joe
De facto, agora consigo ver tudo com bastante clareza: um quadro surpreendente de ofuscação, engano e mentiras.
Desde logo, tendo em conta a minha posição no MI como Distinguished Senior Fellow, é muito pouco provável, embora não inconcebível, que McMaken não tenha solicitado o parecer de Salerno sobre o assunto. Mas, em qualquer caso, é notável a forma como Salerno ofusca a sua resposta à minha pergunta directa. Poderia ter dito (mas não disse), por exemplo, que, se tivesse sido consultado, teria decidido de modo diferente. Contudo, afirmou antes não ter tido absolutamente nada a ver com toda a questão, apenas para acrescentar que nunca tivera motivo para questionar as decisões editoriais de McMaken, o que obviamente implica que também não tinha qualquer problema com a rejeição do meu artigo por parte de McMaken e, de facto, aprovava a sua decisão. Porquê? A minha suposição: Salerno temia que, com a publicação do meu artigo e qualquer publicidade dada à Gedenkschrift de Rothbard, produzida por dois “outsiders,” ele e “o seu” Instituto fossem publicamente ultrapassados.
Ainda mais revelador e enganador é o que vem à luz nas suas respostas relativas à estrutura interna e ao funcionamento do Instituto. Salerno, qua Director Académico, admitiu que, essencialmente, deixa o seu Editor-Chefe fazer o que quiser. Ora, não será isto uma negligência de funções? Não é dever de um director académico acompanhar regularmente o que o seu editor subordinado está a fazer? Naturalmente que sim; no entanto, se nunca se observa o que alguém faz, é apenas lógico que também nunca se descubra qualquer falha da sua parte (como Salerno afirma ser o caso com McMaken). Longe de mim negar que muitos excelentes artigos tenham sido publicados sob a direcção de McMaken no MI, mas também encontrei bastantes textos que teriam de ser classificados como abaixo do nível, diletantes, defeituosos ou simplesmente errados.
A causa provável desta aparente deficiência: os três anteriores presidentes do MI, Doug French, Jeff Deist e Tom DiLorenzo, todos eles contribuidores para a Gedenkschrift de Rothbard, descreveram unanimemente Salerno como preguiçoso e improdutivo, uma atitude que naturalmente afecta e se propaga por todo o corpo do Instituto.
O que nos conduz à mais vergonhosa das mentiras: relativa à nomeação dos dois directores executivos mencionados, “investidos de pleno poder e autoridade para tomar quaisquer acções e todas as decisões que considerem ser do melhor interesse do Mises Institute,” e “trabalhando directamente com Lew, e com a aprovação dele e do Conselho.”
Pode ter havido requisitos legais para nomear algum(ns) “director(es) executivo(s)” após o afastamento de DiLorenzo, mas qualquer pessoa que conheça minimamente o MI sabe também que isto não teve absolutamente qualquer efeito na estrutura de poder efectiva do Instituto. Qua directores executivos, Chad Parish e Judy Thommesen podem ter recebido um aumento salarial, Chad pôde despedir o controlador anteriormente contratado por De Coster e Judy foi aparentemente habilitada a incluir o seu marido na folha salarial do Instituto. De facto, porém, nem Parish nem Thommesen podem tomar qualquer decisão significativa relativa ao Instituto sem a aprovação de Salerno. Para o dizer da forma mais directa: nunca poderiam, em circunstância alguma, despedir Salerno, por exemplo, ao passo que Salerno poderia livrar-se deles quase instantaneamente, se assim o desejasse. Independentemente dos seus novos títulos, ambos os directores executivos são e permanecem subordinados de Salerno e recebem dele as suas instruções, tal como antes.
Quanto à alegada estreita cooperação dos directores com o Conselho e à sua supervisão por este: basta recordar que o Presidente do Conselho, Lew Rockwell, como confirmado por Mardi, sua esposa, está e tem estado, há já algum tempo, essencialmente incapacitado. Severamente debilitado pela deterioração da sua saúde, foi tarefa fácil persuadi-lo a tomar a “decisão certa” e, dadas as suas condições, está completamente fora de questão que possa exercer qualquer supervisão activa das actividades do Instituto.
Quanto ao restante Conselho: importa, em primeiro lugar, notar que o verdadeiro conselho consiste num conselho “interno” de cinco membros permanentes ou “subscritores”; são estes os membros que exercem o controlo efectivo da organização. Para além de Lew, o conselho “interno” inclui, de forma mais problemática, Joe Salerno (um funcionário remunerado); Peter Klein, Professor na Baylor University, mas também na folha salarial do MI como Senior Academic Advisor e aliado de Salerno; e depois a irmã de Lew e a sua cunhada (cujo filho e nora são funcionários do Instituto).
Os restantes membros do Conselho parecem não ter qualquer poder real e são, em grande medida, decorativos, uma vez que os membros do conselho interno podem exercer um veto final ao poderem remover qualquer outro membro do conselho que não seja subscritor (como vimos com o Juiz Napolitano); os membros externos do conselho incluem Ron Paul, com 90 anos, John Denson, com 90 anos, Don Printz, com 85 anos, e três empresários doadores de perfil discreto, Steve Torello, Mark Murrah e Yousif Almoayyed.
É uma anedota afirmar que este conselho interno poderia ou iria exercer qualquer controlo sério sobre o funcionamento interno dos novos directores executivos do Instituto, dado que mais de metade desse grupo são funcionários remunerados da organização ou têm ligações estreitas a tais funcionários. Mesmo que não haja auto-negociação, a própria estrutura convida a essa tentação, ao mesmo tempo que aparenta ser suspeita para qualquer observador externo. O facto de esta estrutura ser ofuscada por uma camada envolvente de membros “externos” do conselho é revelador.
Em todo o caso, porém, não foram os dois directores executivos recentemente nomeados que desviaram o MI do seu rumo. Não foram eles que convidaram Jesús Huerta de Soto para proferir a recente, em 2026, Mises Memorial Lecture. Foi o próprio Salerno quem o fez e, desse modo, traiu o legado de Murray Rothbard e de Lew Rockwell (que, na verdade, já não estava sequer em condições de assistir à própria conferência).
É certo que JHS fez algumas contribuições notáveis para a teoria monetária, e era um membro altamente respeitado da Escola Austríaca de Economia. O seu interesse pelo anarco-capitalismo, o tema central da sua conferência, era mais recente, e não havia muito, se é que havia algo, de novo ou original a ouvir a esse respeito. Em todo o caso, porém, o seu convite teria sido amplamente merecido.
Mas: Durante os últimos anos, a partir de cerca de 2023, JHS tornara-se um membro entusiasta do que se pode chamar uma sociedade de admiração mútua, essencialmente composta, para além dele próprio, pelo Presidente argentino Javier Milei e por Philipp Bagus, o aliado alemão de JHS. Trocaram entre si convites, prémios, distinções e dinheiro, quer em Espanha, quer na Alemanha ou na Argentina, aumentando assim significativamente a sua própria notoriedade. Contudo, aqui reside o problema: enquanto JHS (e Bagus) aclamavam Milei como a grande nova estrela brilhante do cenário libertário e o tão aguardado Messias do anarco-capitalismo, Milei, que reivindicava Rothbard como a sua principal fonte de inspiração, revelou-se, na realidade, uma figura altamente duvidosa, um falso libertário, um vigarista e um belicista. Para prova disto, remeto apenas para a minha já mencionada introdução à Gedenkschrift de Kinsella e minha em honra de Murray Rothbard.3 Veja-se ainda, sobre este assunto, também isto,4 e isto,5 em particular sobre a posição de Rothbard quanto à questão da paz e da guerra como a questão-chave de todo o libertarianismo.
Não obstante toda esta evidência incriminatória, JHS, durante os últimos cinco minutos, aproximadamente, da sua intervenção, como seria de esperar, não conseguiu abster-se de voltar a recitar os seus já habituais elogios a Milei. De forma reveladora, os seus elogios limitaram-se apenas às prestações retóricas de Milei, aos seus discursos libertários grandiloquentes copiados e colados, proferidos no típico estilo latino. Contudo, não houve uma única palavra de JHS acerca de todas as promessas quebradas de Milei, da sua multiplicidade de medidas antilibertárias, da sua ruidosa e orgulhosa proclamação como o maior presidente sionista do mundo, do seu apoio entusiástico ao seu “grande amigo” Netanyahu na sua monstruosa guerra genocida em Gaza, a um Donald Trump manifestamente desequilibrado, e à guerra de agressão dos USrael contra o Irão.
Murray Rothbard teria rejeitado firmemente um convite a JHS com base nisto e por esta razão, e o mesmo teria feito o antigo, ainda vigoroso e saudável Lew Rockwell. Do mesmo modo, e pela mesma razão, Tom DiLorenzo não o teria convidado.
Que Joe Salerno, que sabia muito bem o que Murray pensava acerca dos neoconservadores, do sionismo e de Israel e que também sabia perfeitamente acerca do verdadeiro Milei e da estreita associação de JHS com ele, tenha, ainda assim, procedido desse modo, foi chocante e representa nada menos do que uma traição aberta ao legado de Rothbard e de Rockwell. Porquê? Não tenho uma resposta clara e tenho de especular. Terá o próprio Salerno sido um mileísta secreto, embora sempre o tenha negado categoricamente em conversas anteriores que tivemos sobre o assunto? Ou terá pretendido utilizar JHS para obter acesso directo a Milei e replicar aquilo que o Mises Institute alemão já fizera antes: vender-se, esquecer princípios fundamentais e convidar Milei a Auburn para receber algum prémio, de modo a ganhar mais popularidade e atrair uma classe de doadores anteriormente inacessível? Estará o MI prestes a tornar-se no próximo exemplo daquilo que o seu antigo presidente Doug French descreveu num livro recente publicado sob os auspícios da Property and Freedom Society:6 um movimento transformado num esquema (racket)? Em qualquer caso, há sinais ominosos no horizonte.
Por fim: porque escrevo tudo isto? Não tenho a ilusão de que qualquer coisa disto venha a ter algum efeito perceptível sobre o MI e as suas operações. O MI dispõe de um fundo patrimonial superior a 70 milhões de dólares. Organizações sem fins lucrativos quase nunca implodem e, com este fundo, o Instituto pode arrastar-se durante décadas, quase independentemente do que faça ou deixe de fazer. Há sempre uma geração de doadores mais velhos, pouco esclarecidos, que deixam importantes legados patrimoniais, e há sempre outra geração de novos doadores que surge, atraída por um bom espectáculo e algumas benesses.
O meu único propósito ao escrever isto é, portanto, dar a conhecer a verdade e, assim, honrar e proteger o legado intelectual do meu querido amigo e mentor Murray N. Rothbard.
Istambul, Março de 2026
HHH
Apêndice
Memorando ao Conselho do Mises Institute
Por: Hans-Hermann Hoppe e Jörg Guido Hülsmann
Data: 20 de Agosto de 2025
(pdf)
Caro Lew,
Caros membros do Conselho,
Caros amigos,
Na semana passada tomámos conhecimento de que Tom DiLorenzo e Karen De Coster foram colocados em “licença administrativa” e, por tudo o que aparenta, estão prestes a ser despedidos, embora ainda constem actualmente na página do corpo docente (https://mises.org/faculty-staff). Tomámos igualmente conhecimento de que a razão fundamental para o seu “afastamento” são divergências entre eles e outros membros do pessoal quanto à gestão presente e futura do Instituto.
Escrevemos-vos para partilhar a nossa avaliação da situação, juntamente com um apelo para que ajam sem demora.
Dado que não estamos envolvidos na actividade quotidiana do Instituto nem em quaisquer discussões sobre visão e estratégia, quer ao nível do Conselho quer entre os funcionários do Instituto, não desejamos tomar posição nos litígios actuais num sentido ou noutro. Contudo, gostaríamos de recordar que o mesmo problema (desacordo entre o Presidente e outros funcionários) já conduziu à saída do anterior Presidente há apenas três anos. Aos nossos olhos, e este é o ponto principal para o qual desejamos chamar a vossa atenção: a causa de fundo do problema é uma distribuição inadequada de responsabilidades.
Este problema pode ser melhor ilustrado considerando o papel de Joe Salerno. Por muitas boas razões, ele é uma figura-chave no Instituto, não menos pela sua competência e lealdade incontestada à nossa causa. De todos, é o mais próximo do fundador e presidente do Instituto, Lew Rockwell. Tão especial é a posição de Joe que ele é simultaneamente funcionário (Vice-Presidente Académico do Instituto), nessa qualidade subordinado ao Presidente do Instituto, e, ao mesmo tempo, membro permanente do Conselho. Inevitavelmente, isto gera uma situação embaraçosa. Embora Joe seja formalmente um funcionário do Instituto, de facto, materialmente, é o Vice-Presidente do Conselho e, portanto, o superior hierárquico do Presidente.
Isto não só implica um conflito de interesses para Joe, sempre que o Conselho tem de tratar de matérias que afectam a sua própria remuneração ou as suas responsabilidades operacionais. Também gera conflitos entre ele e qualquer Presidente, seja ele quem for.
Quando Lew Rockwell dirigia o Instituto, tais conflitos não se materializavam, porque Lew confiava plenamente no principal responsável académico (Murray Rothbard até 1995, depois várias outras pessoas) e nunca se preocupou em envolver-se em quaisquer questões académicas. No entanto, importa sublinhar que, sendo o Presidente, Lew poderia ter intervindo em questões académicas. Enquanto fundador do Instituto, tinha a legitimidade moral e jurídica para tomar os assuntos em mãos. Em todo o momento, não só manteve controlo total sobre todas as matérias financeiras, como também poderia ter substituído o director académico interno. Nunca o fez, mas poderia tê-lo feito, e ninguém teria sido capaz de o demitir por isso.
Compare-se agora com o período mais recente, durante o qual Lew se afastou, passou a presidente do Conselho, e confiou a liderança operacional do Instituto a um Presidente. É inevitável que o Presidente, seja ele quem for, não possa deixar de invadir o terreno de Joe. É inevitável que isto implique diversas fricções. Em qualquer organização funcional, a solução ordinária para tais conflitos é que o Presidente prevaleça e que todos os responsáveis subordinados cumpram as suas ordens. Mas, no caso presente, parece-nos que as coisas são diferentes. Sempre que Joe esteja em desacordo fundamental com o Presidente sobre qualquer questão que considere importante, pode contornar a cadeia de comando e intervir directamente junto da autoridade suprema (o Conselho e, em especial, Lew). Assim, encontra-se numa posição que lhe permite desafiar, contestar e ultrapassar praticamente qualquer Presidente em funções. E este estado de coisas não afecta apenas a sua própria relação com o Presidente. Não pode deixar de também minar a relação entre o Presidente e todos os outros funcionários. Com efeito, um Presidente que não consegue prevalecer sobre os seus executivos seniores está condenado, mais cedo ou mais tarde, a perder o respeito dos restantes funcionários. Eventualmente, a intriga, a rebelião e a insubordinação tornam-se reacções aceitáveis em resposta às suas ordens.
Reconhecemos claramente a importância de preencher o Conselho com pessoas competentes e leais. Naturalmente, também desejamos que o Instituto tenha funcionários competentes e leais. Mas apenas um funcionário do Instituto pode simultaneamente integrar o seu Conselho, a saber, o Presidente (é discutível se o Presidente deve ter direito de voto). Todos os outros funcionários não podem nem devem tornar-se membros do Conselho. (Por esta mesma razão, consideramos também a recente decisão de nomear Ryan McMaken para o Conselho como infeliz.) E o Presidente, uma vez eleito, deve ter autoridade para decidir sobre todas as matérias. Pode optar por delegar alguns dos seus poderes, mas, em princípio, a sua decisão deve ser final. E o Conselho tem o dever de apoiar o Presidente nos bons e nos maus momentos e de o exonerar das suas funções apenas em caso de manifesta má-conduta, fraude ou traição — mas não por meras “diferenças de visão” entre ele e outros membros do pessoal.
Em suma, deve haver unidade de liderança. Uma casa dividida contra si mesma não pode subsistir. Não pode haver dois líderes do Instituto. Na situação actual, portanto, parecem existir apenas três soluções:
- Joe é nomeado para a presidência. Assume a responsabilidade formal e a relação entre ele e os outros executivos fica clarificada.
- Joe afasta-se da sua actual função de Vice-Presidente Académico, deixa de ser funcionário do Instituto, mas permanece membro permanente do Conselho.
- Joe afasta-se do Conselho, mas permanece Vice-Presidente Académico, sob a liderança do Presidente.
Esperamos que leiam estas linhas como pretendemos: não como qualquer espécie de acusação contra Joe, mas como um apelo à correcção de um grave problema organizacional que, por acaso, lhe diz directamente respeito. Joe está actualmente a tentar ajudar em todas as frentes, o que é meritório. No entanto, a situação em que se encontra envolvido tem de chegar ao fim. Joe (e todos os outros que possam vir a encontrar-se numa situação semelhante) devem ser confinados ao único papel em que podem ser mais úteis à nossa causa.
Não teríamos escrito esta carta sem um sentido de alarme e urgência. Não encaramos isto de ânimo leve, e vós também não o deveis fazer. O problema que trouxemos à vossa atenção tem o potencial de arruinar o Instituto. Já nos custou dois presidentes. Amargurou Doug French, amargurou Jeff Deist e tememos que venha a amargurar Tom DiLorenzo. Implicou grandes dificuldades para Karen De Coster, que abandonou o seu emprego anterior para servir o Instituto sob a promessa de que este seria o seu último emprego. Estes problemas não ficarão por aqui. Eventualmente, tornar-se-á impossível encontrar candidatos para a posição difícil de Presidente. Semeará discórdia crescente entre os nossos académicos. Alienará os nossos doadores e todas as outras pessoas de boa vontade que nos observam do exterior como um farol de liberdade.
O problema deve ser resolvido com urgência e de forma completa. Tem de ser resolvido pelo Conselho. Podeis contar connosco e com outros para aconselhamento, mas, em última instância, trata-se de uma questão do Conselho. Tem de ser resolvido por vós, e contamos convosco para cumprir essa tarefa.
20 de Agosto de 2025
Hans-Hermann Hoppe
Jörg Guido Hülsmann
- Hans-Hermann Hoppe, “PFP290 | Hoppe: Considerations and Reflections of a Veteran Reactionary Libertarian (AERC 2025),” Property and Freedom Podcast (March 23, 2025). ↩︎
- Hans-Hermann Hoppe, “
Rothbard at 100: A Tribute and Assessment, Stephan Kinsella and Hans-Hermann Hoppe, eds. (Papinian Press and The Saif House, 2026); Hoppe, Rothbard at 100: A Tribute and Assessment Published Today; ↩︎ - Hoppe, “Introduction,” in Rothbard at 100: A Tribute and Assessment. ↩︎
- Oscar Grau, “The Zionist Road to Serfdom in Argentina,” Unz Review (March 10, 2026.) ↩︎
- Doug French, “For Murray, Peace Is Everything,” PFS Blog (March 21, 2026). ↩︎
- Douglas E. French, When Movements Become Rackets and Other Swindles: The PFS Trilogy, Stephan Kinsella, ed. (Houston, Texas: Papinian Press and Property and Freedom Society, 2025). ↩︎
