Ludwig von Mises nasceu há precisamente 145 anos. O mundo é hoje muito diferente daquele em que nasceu, mas a influência de Mises continua a fazer-se sentir até aos nossos dias.
Mises foi “o preeminente teórico” do século XX, como o descreveu o seu aluno Murray Rothbard: foi, e continua a ser, a maior ameaça intelectual ao socialismo em todas as suas formas.
O seu tratado Socialism expôs a impossibilidade prática de todo o sistema económico socialista, um facto que a maioria dos regimes políticos ocidentais se recusou a reconhecer durante décadas. Ao explicar a natureza essencial do cálculo económico e dos direitos de propriedade na produção e na manutenção do capital, Mises lançou um desafio que até os mais devotos dirigentes soviéticos se viram obrigados a enfrentar.
Em 2026, está a emergir uma nova ameaça. Aspirantes a autoritários sugerem que a IA poderá finalmente tornar possível uma verdadeira e duradoura revolução socialista. Quem acreditar nisto não leu Mises.
Igualmente importante, porém, é a ênfase colocada em todas as formas de expansão do crédito. Em The Theory of Money and Credit, Mises apresentou a teoria austríaca do ciclo económico, que continua a ser a melhor lente para compreender por que razão as bolhas financeiras insufladas pelos bancos centrais estão condenadas ao colapso, com enormes custos para a economia. Esta teoria é particularmente relevante em 2026, dado que a criação privada de crédito fora dos bancos centrais e das finanças tradicionais, como o shadow banking, se expandiu significativamente nos mercados financeiros globais. A revolução fintech chegou, e a teoria de Mises contém as respostas.
Naturalmente, a sua obra-prima continua a ser Acção Humana, que, no seu tempo, constituiu uma ousada rebelião contra o sequestro keynesiano da economia. Para surpresa de Mises e dos seus editores, um extenso tratado teórico tornou-se uma obra extraordinariamente popular e a base intelectual dos americanos que rejeitaram o legado de Roosevelt e a ascensão do Estado Social.
Hoje, a economia intervencionista preferida pelos políticos e pelas universidades encontra-se num estado de crise intelectual. Os custos das suas políticas tornaram-se impossíveis de disfarçar. Os seus modelos continuam a falhar. A sua esterilidade intelectual criou uma oportunidade perigosa para que socialistas tanto de esquerda como de direita apelem às massas com várias novas formas de autoritarismo.
Como Mises sabia, as justificações do capitalismo e dos mercados livres apresentadas por neoliberais como Milton Friedman nunca poderiam, a longo prazo, sustentar-se por si próprias. São os alunos de Mises que agora se erguem em sua defesa.
Leia Mises!
