À medida que nos embrenhamos nas complexidades da sociedade moderna, torna-se cada vez mais imperativo regressar às obras de Ludwig von Mises. Mises permanece não apenas relevante, mas vital, fornecendo um enquadramento para compreender o mundo contemporâneo. Ao longo da sua vida, Mises estabeleceu o padrão com as suas reflexões sobre a acção humana, a economia e a política. Numa era caracterizada pela expansão excessiva do poder governamental, pela manipulação monetária e pela degradação das liberdades individuais, é nas suas ideias que podemos procurar orientação para enfrentar estes problemas. As ideias de Mises funcionam como um farol de sabedoria, guiando-nos rumo a uma sociedade mais justa e próspera.
A magnum opus de Mises, Human Action, lançou as bases da Escola Austríaca de economia, colocando a tónica na escolha humana subjectiva, no empreendedorismo e no papel dos preços na alocação de recursos. Este enquadramento, desenvolvido no início do século XX, resistiu à prova do tempo, oferecendo uma crítica robusta ao planeamento central, ao keynesianismo e a outras formas de intervencionismo.
A teoria misesiana do cálculo económico demonstrou de forma simples que os planificadores centrais não conseguem alocar racionalmente os recursos porque não dispõem de qualquer referência quanto aos preços dos bens de produção. Esta intuição é particularmente relevante hoje, numa altura em que os governos continuam a tentar micro-gerir as economias, muitas vezes com consequências desastrosas. Costumo dizer: «Não há problema que a intervenção governamental não consiga agravar com êxito.» O fracasso das experiências socialistas e comunistas, bem como as dificuldades persistentes das economias planificadas centralmente, recordam-nos os avisos quase proféticos de Mises.
Foi Mises quem começou por assinalar os riscos da moeda fiduciária e o inevitável resultado inflacionário. Verificamos que, com a proliferação da banca central e das políticas de expansão monetária, existe uma crise global da dívida em que o poder de compra é amplamente destruído para a maioria dos cidadãos e a estabilidade do sistema financeiro é minada. Um instrumento essencial para explicar o actual panorama económico é a análise misesiana do ciclo económico, que sublinha a expansão do crédito e a política monetária como causas dos ciclos de expansão e recessão.
O compromisso libertário de Mises foi uma expressão da sua convicção profunda no valor da liberdade individual, bem como dos perigos inerentes à agressão governamental. Vivendo num tempo em que aumentam a vigilância, a censura e a repressão da autonomia pessoal, as suas ideias recordam-nos de forma clara como os direitos individuais devem ser defendidos e como o poder do estado deve ser mantido estritamente limitado.
Em conclusão, pode afirmar-se que as ideias de Ludwig von Mises continuam a ser um componente fundamental de qualquer discussão séria sobre economia, política e sociedade. As suas críticas ao planeamento central, à moeda fiduciária e à intervenção governamental permanecem hoje tão relevantes como quando foram formuladas; o seu compromisso com a liberdade individual e com um governo limitado aponta o caminho para um futuro mais justo e próspero. À medida que atravessamos as provações e tribulações do século XXI, é apropriado regressar e construir sobre os ensinamentos intemporais de Mises, para que o seu legado continue vivo e nos conduza a um futuro melhor.
Artigo publicado originalmente no Mises Institute.
